O Cássio lê o Nei



A revisão do meu romance - na verdade a visão, sem o re, a leitura - me põe na perspectiva de um leitor distante. O leitor Cássio questiona o escritor Nei. Por que escreveste tal coisa? Isso não poderia ser deixado de fora? Determinado parágrafo está muito ruim, já este outro surpreende pelo ritmo e pela ótima sacada. Foste genial aqui, Nei, mas logo adiante tua escrita despenca. Deves reescrever imediatamente. Sorte a minha que o orientador já marcou os erros ortográficos. Essa personagem parece contigo. A outra também. A terceira idem. Não há um alter ego ou os três o são, inclusive a Paula? Poderias ser mais explícito aqui. Poderias ter deixado subentendida esta parte. Não subestimes o leitor, mas também não o deixes sem entender nada, pois ele pode desistir do livro na primeira oportunidade. Essa frase é dispensável. Aqui está faltando alguma coisa. Achas que o problema é do leitor se ele não entender? Nem sempre é assim, meu caro. Deves lembrar que tu és o artista, o bobo da corte, e o leitor é o rei. Se ele não gostar do que escreveste, serás decapitado. Mas deves te lembrar também de que o bobo da corte apenas aparenta ser inferior, submisso. No fundo ele é quem ri do soberano e, até momentos antes de sentir a lâmina no pescoço, sua mente diz “eu sou um gênio, consegui o que queria: incomodar o rei”.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Uma resenha que não aconteceu