Avançar para o conteúdo principal

Ano Cortázar (II)





Casa 1
Antes de começar a história, o leitor se depara nas primeiras páginas de Rayuela com uma tabela de direção. Cortázar sugere duas formas de leitura: pode-se começar pelo capítulo 73 e depois voltar para 1, seguir ao 2, depois pular para  o 116, retornar ao 3 e assim por diante; ou pode-se ler de forma linear, do capítulo 1 até o fim. Há ainda uma terceira forma: o leitor cria seu próprio roteiro de leitura. Ou ainda: não ter roteiro nenhum. “À sua maneira este livro é muitos livros.”




Casa 2
Em outro livro, La vuelta al día en ochenta mundos, Cortázar nos mostra desenhos de uma espécie de máquina para facilitar a leitura de Rayuela. Trata-se da “rayuel-o-matic”. Colocada ao lado da cama do leitor, é dividida por gavetas das quais, apertando-se um botão, saem os capítulos do romance na ordem em que se desejar. Logicamente, ela não existe, mas antecipa, de certa forma, a leitura através de hiperlinks no computador.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

Uma resenha que não aconteceu

Terminei a leitura de Os invernos da ilha, de Rodrigo Duarte Garcia (Record, 462 páginas), já pensando em escrever uma resenha crítica, apontando alguns pontos positivos e outros negativos do romance. Antes de pôr a mão na massa, porém, entrei nas redes sociais e fiquei sabendo que a coluna do Raphael Montes, em O Globo, apontava a obra do Rodrigo como popular, para se divertir, e então desanimei.
Acontece que há um equívoco tremendo por parte de alguns autores e leitores de literatura de entretenimento quando afirmam que literatura policial, de mistério ou de aventura (em que se encaixaria Os invernos da ilha) são desprezados pela crítica. Este é o tom do texto de Raphael Montes. Ele e tantos outros se equivocam ao dizer que Rubem Fonseca, escritor já canonizado e que é objeto de estudos até em livros didáticos, não tem o reconhecimento que merece porque é taxado por fazer literatura menor. Ledo engano ou uma tentativa forçada de se colocar como vítima.
Ora, a “crítica” (coloco entre …