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Acidentes acontecem



Acidentes são acidentes, caso contrário não se chamariam acidentes. Lembro que, quando criança, brincando com minha irmã, a empurrei e ela bateu fortemente com as costas na parte de madeira um pouco mais alta que ficava ao pé das camas antigas. Na hora me deu um medo tremendo do mal que poderia ter feito a ela, porém, ainda bem, não aconteceu nada de grave, não quebrou nenhuma vértebra. Como diz o personagem Chaves, “foi sem querer querendo”. Queremos fazer algo para outra pessoa, às vezes sem maldade nenhuma, no entanto não pensamos na consequência que isso possa ter.
Somos falhos. É uma condição do ser humano. Falhamos em tudo. Eu, como professor, falho quando não consigo ensinar corretamente uma lição e lá na frente isso pode ocasionar uma desclassificação de um aluno num concurso público ou na tão sonhada vaga na universidade. Um médico pode falhar no seu diagnóstico ou, ainda mais grave, em uma cirurgia. Um arquiteto pode falhar ao elaborar a estrutura de um viaduto ou um operário pode falhar na etapa de execução da obra. Um cozinheiro pode falhar e utilizar um ingrediente estragado na comida que servirá a dezenas de pessoas. Um carteiro pode falhar ao entregar uma carta errada que cause um mal entendido e até uma tragédia.
Sempre há o que criticam essas falhas, seja de forma construtiva, seja de forma violenta. Infelizmente, a última forma é a que mais está sendo usada. Há os que desejam a quem falhou o mesmo mal que a vítima teve ou até pior. Esses “sabichões”, no entanto, não estão livres de eles próprios cometerem uma falha, seja no seu trabalho, seja dirigindo, seja na educação do seu filho, seja onde for e em qualquer circunstâncias. Ninguém está livre de falhar.
Há diferença entre falhar e cometer um crime. Essa diferença não somos nós, comentadores de redes sociais, em nossas confortáveis (ou nem tão confortáveis) cadeiras, que vamos julgar, muito menos com palavras violentas, agressivas, ameaçadoras, que nos colocam num nível abaixo do que se espera como posição de uma pessoa de bem. Há esferas capacitadas para julgar as pessoas, esferas essas também formadas por pessoas sujeitas a falharem.
Cada vez me afasto mais das redes sociais da internet devido à terra de ninguém que elas se tornaram. Pré-julgamentos, pré-juízos que causam prejuízo ao bom convívio tornam o ambiente virtual insuportável.
Cassionei Niches Petry – professor e escritor, não necessariamente nesta ordem.

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