Avançar para o conteúdo principal

Das "Notas confessionais de um angustiado"

Trecho do meu trabalho de dissertação (http://btd.unisc.br/Dissertacoes/CassioneiPetry.pdf) sobre a elaboração do romance "Os óculos de Paula": 


Em um trecho do conto “O lago dos peixes dourados e outras histórias”, da coletânea Fumaças e espelhos, Neil Gaiman escreve: 

A pergunta irritante que nos fazem – a nós, escritores – é: – De onde você tira suas ideias?
E a resposta é: confluência. As coisas se juntam. Os ingredientes certos e, de repente: Abracadabra! (2004, p.75).

É uma das melhores respostas e a que mais se relaciona com o meu romance. A partir do título, as coisas vão se juntando até formar o eixo da história. Como escreveu Rollo May (1982), é como se a ideia saltasse do inconsciente. Depois, com o desenrolar do nó inicial, novas ideias vão sendo agregadas, mas sem se perder o foco nas personagens principais.
Escrever sobre o ato de escrever é um dos temas do romance. O ateísmo, que em princípio parece ser o assunto principal, é um disfarce para distrair o leitor. O romance não é sobre o ateísmo, em que pese ele estar presente em boa parte da história, muito menos é uma defesa dos ateus, pois seria um romance panfletário.
Busco um romance fora das convenções, pois ele mistura ficção, ensaios, crônicas, postagem de blogue, etc.
 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

Um toque

Chuva, café, música clássica e leitura. Daqui a pouco, o cachimbo. Combinação quase perfeita para uma manhã de dezembro, já de férias, final de ano, final de um péssimo ano. Os dedos escorrem pelas teclas com aquela necessidade de escrever algo. Não quero, porém, fazer nenhum balanço de final de ano como costumava fazer. As coisas ruins suplantaram as boas, peso maior para a morte trágica do meu pai, cujo rosto pude tocar pela última vez há pouco mais de dois meses. Os dedos continuam tateando o teclado. Há pouco estava lendo o romance O inverno e depois, de Luiz Antonio de Assis Brasil, editado pela L&PM. O protagonista, Julius, é um violoncelista, que tateia as cordas buscando o som perfeito, que toca no seu instrumento entre as pernas (o violoncelo, que fique claro) como se tocasse as curvas do corpo de uma mulher, que toca os cobertores que o protegem do frio do pampa, que toca o corpo das mulheres (Klarika, Constanza) como se tocasse seu cello. O toque é a preliminar do prazer…