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Mais sobre leitura

Comentário que escrevi hoje para o programa Polêmica, do Lauro Quadros.

Penso que nunca se leu muito. Mas a situação começa a piorar quando criamos a ideia de que não podemos obrigar o aluno a ler. Ora, se não obrigarmos o aluno a ler, ele nunca vai ler ou vai ler apenas um número limitado de títulos. Para se ler bem, deve-se ler muito e de forma variada. É preciso um amplo conhecimento cultural para que a leitura se complete. Também se diz que o jovem lê e escreve mais hoje devido a internet. Mentira! Ele só lê e escreve em internetês e miguxês que tão somente são variantes da língua. Além disso, há escritores que deixam de escrever em blogs, para “escrever” apenas no twitter que, a meu ver, apenas serve como divulgação para o texto mais elaborado do blog.

O twitter desvaloriza o texto mais elaborado, desvaloriza a palavra!

Se deixarmos de dar importância ao livro (impresso ou digital) e ao texto melhor articulado, a leitura vai perder muito com isso.

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No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

Uma resenha que não aconteceu

Terminei a leitura de Os invernos da ilha, de Rodrigo Duarte Garcia (Record, 462 páginas), já pensando em escrever uma resenha crítica, apontando alguns pontos positivos e outros negativos do romance. Antes de pôr a mão na massa, porém, entrei nas redes sociais e fiquei sabendo que a coluna do Raphael Montes, em O Globo, apontava a obra do Rodrigo como popular, para se divertir, e então desanimei.
Acontece que há um equívoco tremendo por parte de alguns autores e leitores de literatura de entretenimento quando afirmam que literatura policial, de mistério ou de aventura (em que se encaixaria Os invernos da ilha) são desprezados pela crítica. Este é o tom do texto de Raphael Montes. Ele e tantos outros se equivocam ao dizer que Rubem Fonseca, escritor já canonizado e que é objeto de estudos até em livros didáticos, não tem o reconhecimento que merece porque é taxado por fazer literatura menor. Ledo engano ou uma tentativa forçada de se colocar como vítima.
Ora, a “crítica” (coloco entre …