O bom cinema em casa

O ensaio sobre cinema escrito por Alcino Leite Neto, no suplemento Ilustríssima da Folha de S. Paulo de hoje, se encerra mencionando a coletânea de artigos de Jonathan Rosenbaum. Nela, o crítico americano defende uma questão que apoio: não se deve mais pensar no cinema apenas como sala e tela grande, pois a maioria das pessoas não assiste mais a filmes dessa forma.

Um ponto chave sobre esse assunto é que com as novas tecnologias (já nem tão novas assim), há um público cinéfilo que tem acesso a clássicos que não rodam nas salas comerciais. Posso dizer que minha experiência com a sétima arte só está se realizando plenamente a partir do compartilhamento de arquivos na rede de computadores. Pirataria? Não, até porque muitas obras nunca apareceram no país e são legendadas (algumas pessimamente, é verdade) por anônimos difusores culturais.

Há ainda os DVD’s que resgatam esses clássicos, muitas vezes com extras que enriquecem o conhecimento sobre as obras. Nesse caso, mais uma vez a internet contribui a partir das vendas, já que são produtos que não são facilmente encontrados numa loja do interior do RS.

Além de tudo isso, nada melhor do que assistir a um filme na hora que você quiser, podendo retornar trechos para fixar na memória alguma cena ou diálogo, no aconchego do seu lar, sem precisar ouvir comentários paralelos. Não concordo com a ideia de que o cinema é apenas uma experiência coletiva. Ela é tão individual como a literatura, que se torna coletiva num sarau ou recital.

Deixo as salas de cinema para quem prefere assistir a Crepúsculo no lugar de Nosferatu.


Comentários

Tom disse…
NOSFERATU! SIM! NOSFERATU, SIM! MINHA INFÂNCIA, PUTA QUE PARIU! Caramba, eu não tinha nem quatro anos, quando assisti pela primeira vez, em uma madrugada, junto de minha mãe. Lembro-me de todos os detalhes. Puta saudade daquela época em que esses filmes de vampiros eram mais do que excelentes! E quanto aos de zumbi? Sem comentários! Nada tão divertido!

Perdão pela empolgação.
Cassionei Petry disse…
Foi o Nosferatu original ou o remake dos anos 70?
Tom disse…
O original! 1922! Também assisti ao de 1970, mas prefiro o original, que foi o primeiro que vi.
Cassionei Petry disse…
A versão do Herzog me deu um sono...

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