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Diário crônico VII – Coceira crônica



Há alguns anos, fui acometido por coceiras em determinados pontos da pele. Quem já sofreu desse mal sabe que, quanto mais se coça, mais o problema se agrava. A pele começa a ficar vermelha, a irritação se espalha... O mais sensato é procurar um dermatologista, especialista que deve ter a solução para o problema. Acontece que vivo distante dessas coisas práticas da vida, então vou adiando, adiando, não procuro o médico (essa semana estive doente e fiquei apenas em casa) e, quando vejo, o problema está cada vez maior. Pouco tempo depois, fui ao médico e me curei.
Não, não, meu dois leitores. Por favor! Continuem lendo, pois vocês são os poucos que me cabem ainda nesse latifúndio da blogosfera. Vou poupar-lhes de demais detalhes, digamos assim, nojentos. Porém, ah, porém, essas coisas banais do dia a dia nos fazem refletir sobre outras coisas não tão banais. Pois a coceira me lembra justamente a questão da busca pelo conhecimento.
Ora, volta e meia (ou melhor, sempre) sou acometido por uma coceira no cérebro. Quem já sofreu desse mal sabe que, quando mais se coça, mais o problema se agrava. O cérebro começa a inchar, a inquietação se espalha... O mais sensato seria procurar alguma coisa acomodável, como bater papo no celular ou escutar um breganejo, para solucionar o problema. Acontece que vivo distante (ou melhor, quero distância) dessas coisas rotineiras da vida, então vou adiando, adiando e, quando vejo, a inquietação está cada vez maior.
Ah, e é tão bom se coçar. Minha avó, que já se foi, adorava que coçássemos seus cabelos ou suas costas. Como neto dedicado, gostava de proporcionar esses momentos de prazer a ela e eu ficava feliz ao ver nos seu rosto um sorriso de satisfação.
Sim, coçar-se pode se tornar um vício. No caso da coceira do conhecimento, da curiosidade, da busca pelo saber, um vício que pode ser bom ou ruim, dependendo do que vamos fazer com o que ficamos sabendo.
Quando tenho essas coceiras, vasculho livros empoeirados das bibliotecas ou estantes esquecidas das locadoras de vídeo, procuro anotações em folhas perdidas no meio da minha bagunça organizada, baixo álbuns e filmes antigos na internet, entro em fóruns de discussão, etc.
Mas, para aliviar mesmo a coceira, tenho que compartilhar os remédios que encontro, seja ensinando aos alunos na escola, seja conversando com alguém em um café ou no facebook ou então escrevendo essas crônicas, artigos, resenhas, aforismos, contos, fragmentos e outras filosofices para serem lidos pelos raros leitores do blog. Quando escrevo, ali no canto superior, “espero que não fique à vontade”, significa o desejo de que todos tenham essa mesma coceira ao lerem o que escrevo.

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