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Fala, mestre


Para mim, escrever é físico. Sempre tenho a impressão de que as palavras estão saindo do meu corpo e não apenas da minha mente. Eu escrevo à mão e a caneta está arranhando as palavras na página. Posso até ouvir as palavras sendo escritas. Muito do esforço em escrever prosa, para mim, está ligado a criar sentenças que capturem a música que ouço na minha cabeça. Demanda um bocado de trabalho, escrever, escrever e reescrever até captar a música exatamente como você quer que ela seja. Essa música é uma força física. Você não apenas escreve livros fisicamente, mas também os lê fisicamente. Há algo sobre os ritmos da linguagem que corresponde aos ritmos dos nossos próprios corpos.

Paul Auster, em entrevista publicada no livro Conversa entre escritores, da editora Arte e Letra.

Comentários

Mirella disse…
Li isso em um dos jornais, hoje, só não lembro em qual deles.

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