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Bauman foi mais esperto (X)

Como era de se esperar, o diário não está sendo escrito todos os dias, por isso gostaria de usar o título do livro do Bauman. Maldito! Maldito é o Affonso Romano de Sant’Anna também, que chamou seu diário de “quase-diário”, atualmente reproduzido no jornal literário Rascunho.
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Não falo/escrevo mais sobre política. Já escrevi em uma crônica: observo tudo aqui de cima do muro.
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“Senhores, todos nós somos cruéis; todos desnaturados; todos nós fazemos os outros chorarem: as mães, os bebês a mamar... Mas de todos — que isto agora seja garantido —, de todos, eu sou o mais imundo dos vermes! Que seja! A cada dia de minha vida, batendo no peito, eu prometia me corrigir, e todos os dias cometia as mesmas maldades. Agora compreendo que, a pessoas como eu, é preciso um golpe, um golpe de sorte, para dominá-las por meio de uma força exterior. Jamais, jamais eu me levantaria sozinho!” Dmítri Karamázov, em "Os Irmãos Karamazov", de Dostoiévski.

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Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

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