Diário crítico (4)
10 de novembro de 2020
"Trabalha, trabalha, escreve,
escreve tanto quanto possas, tanto quanto sejas arrebatado por tua musa. Este é
o melhor corcel, a melhor carruagem para escapar da vida." Gustave Flaubert
*
Estamos voltando à oralidade na
Literatura? É mais relevante se falar sobre as leituras realizadas ou escrever
sobre elas? Me pergunto isso quando noto que as resenhas, cada vez mais raras
nos jornais (com certa sobrevida na internet, mas sem repercussão), perdem
lugar para os comentários no Youtube e agora as lives com bate-papo sobre
Literatura. Minhas resenhas são ignoradas pelas editoras, que por sua vez babam
quando veem seus livros serem comentados por booktubers, presenteando-os com exemplares
para que sejam divulgados. Os leitores estão mais assistindo a comentários
sobre livros (já me perguntaram por que não invisto no meu canal no Youtube) e
os escritores também estão prestigiando mais quem os divulga em meios como o
Instagram ou os áudios dos podcasts. O próximo passo é deixar de escrever livros
e contar as histórias ou declamar poesias somente em vídeo.
Já cometi alguns vídeos por aí. Todos
péssimos. Mas acho que já conto com mais visualizações do que leitura (o que
não é difícil). E olha que eu já escrevi muito, produzo conteúdo escrito há mais
de 10 anos, em vários meios. Livro, texto escrito em geral, é coisa do passado.
Isso é choro de gente jurássica, o que me faz lembrar do conto do Monterroso.
Mas não sei se quando acordarem ainda estaremos lá.
*
Concluída mais uma leitura, no caso releitura, como escrevi
ontem neste diário. “Enquanto água”, de Altair Martins (Record), tem como
temática a água. Todos os contos fazem referência a ela, seja a da chuva, da
piscina, a de beber, dos rios, do mar, etc. Há realismo cru, em contos como “Homens
de verdade”, ou o realismo fantástico, como em “Patologia da construção”. Os dois
primeiros romances do Altair, “A parede no escuro” e “Terra avulsa”, não vou
reler, pois ainda lembro de muitas passagens, inclusive escrevi resenhas sobre
ambos (também escrevi sobre o segundo de contos, “Se choverem pássaros”, uma
das primeiras resenhas que escrevi para jornais, no distante ano de 2003).
Ainda este mês leio a mais recente obra do autor, “Os donos do inverno”.
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