Em homenagem a Camus

Ontem fez 50 anos da morte de Albert Camus em um acidente de carro. Sua obra me marcou muito quando comecei a conhecer os grandes nomes da literatura, principalmente porque foi referência para as letras dos Engenheiros do Hawaii.
Meu romance preferido do escritor francês é "O estrangeiro". Curioso como ele con
seguiu fazer com que o leitor ficasse do lado do personagem Mersault. Claro que cometeu, por motivo fútil, um assassinato. Criminoso, portanto. Porém, a maneira como foi levado o julgamento, faz parecer que era inocente, injustiçado, simplesmente por não ter mostrado emoção no enterro de sua mãe, que morrera dias antes. Vale a pena assistir também à adaptação do romance para o cinema feita por Luchino Visconti. Dos romances do autor, “A peste" também é um livro indispensável, uma metáfora da II Guerra Mundial e da condição absurda do homem no mundo.

Dos seus livros ensaísticos, que o colocaram como nome importante na filosofia também, se destacam "O mito de Sísifo", retomando o mito grego (que citei nessa crônica) e “O homem revoltado”.

Imagem do acidente de Camus

“Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida é responder uma questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. Trata-se de jogos; é preciso primeiro responder. E se é verdade, como quer Nietzsche, que um filósofo, para ser estimado, deve pregar com o seu exemplo, percebe-se a importância dessa reposta, porque ela vai anteceder o gesto definitivo. São evidências sensíveis ao coração, mas é preciso ir mais fundo até torná-las claras para o espírito. Se eu me pergunto por que julgo que tal questão é mais premente que tal outra, respondo que é pelas ações a que ela se compromete. Nunca vi ninguém morrer por causa do argumento ontológico. Galileu, que sustentava uma verdade científica importante, abjurou dela com a maior tranqüilidade assim que viu sua vida em perigo. Em certo sentido, fez bem. Essa verdade não valia o risco da fogueira. Qual deles, a Terra ou o Sol gira em redor do outro, é-nos profundamente indiferente." (O Mito de Sísifo)

Comentários

Luis Fernando disse…
Infelizmente, parece que ninguém se interessa em publicar a obra teatral de Albert Camus. Nunca encontrei uma edição brasileira de peças como "O mal-entendido", "Os possessos" (sua leitura dramatúrgica de Dostoiévski) e "Calígula", textos considerados bem importantes na sua obra. Só encontrei o "Estado de sítio", que é uma obra menor.
Lamentável.
Cassionei Petry disse…
"Calígula" li uma vez,acho que tem na biblioteca da Unisc. E há um ensaio interessanet do janer Cristaldo, em que ele traalha a obra do Camus e do Sábato, e a obra mais citada é Calígula. Há na internet para baixar esse livro do Cristaldo.

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