Exercício poético paródico a partir de um soneto de Camões


Trabalhando com os alunos o soneto “Amor é fogo que arde sem ver”, do Camões, e a criação intertextual com esse poema feita pelo Renato Russo na música “Monte Castelo”, também inspirada num texto bíblico, discutimos as diferentes concepções de amor em épocas diferentes: nas primeiras décadas da chamada Era Cristã, no Renascimento e no século XX pós Segunda Guerra. Surgiu a questão: como conceituaríamos o amor no século XXI? A partir disso, em uma das aulas, esbocei no quadro esse exercício poético paródico. Conforme prometi para os alunos, iria compartilhar com todos pela internet. Com algumas modificações, aí está:

Amor é Msn onde se fala e não se vê,
É um Orkut que existe e ninguém entra,
É curtir sem gostar no Facebook,
É pergunta sem resposta no Formspring.

É uma TV cuja imagem não se vê,
É um rádio que se escuta e não se ouve,
É nunca conectar-se conectado,
É atender o celular e nada dizer.

É querer ouvir Restart e Black Sabbath,
É dançar funk num show de rock'n’roll,
É beijar 20 na balada e ter lealdade.

Mas como causar pode no século XXI,
Se os corações não querem amizade,
Se tão falso assim é o mesmo Amor?

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