Avançar para o conteúdo principal

Minha edição preferida de Rayuela

Um novo membro da minha biblioteca: a edição que, para mim, é a melhor já feita de Rayuela, do Cortázar. Antes eu tinha apenas uma versão em e-book de um dos meus livros prediletos. Faltava tê-lo impresso.

Comentários

charlles campos disse…
Cortázar em e-book!!!

Aliás, seja quem for, em e-book!!!!

Raios o param, herege.
charlles campos disse…
Raios o PARTAM. E o parem nessa sua mania funesta.
Cassionei Petry disse…
Se estivesse vivo, Cortázar aprovaria a edição em e-book de Rayuela, ele que inventou a rayuel'o'matic. Com o e-book, é só clicar no hiperlink de cada capítulo e se pode pular facilmente de um a outro. Nada de heresia nesse caso.
charlles campos disse…
Apesar de Volta ao Dia em 80 mundos e Último Round não serem mais que um blog impresso, discordo contundentemente dessa sua afirmação. Lestes O Livro de Manuel? Pois o grafismo inovador neste romance revela, em suas anotações abaixo das linhas do texto, em seus textos paralelos com tamanho de letra desiguais, que Cortazar era um desses amantes de livros que jamais aceitaria outra plataforma menos intimista e visceral para a expressão de suas ideias do que a página rabiscável e dobrável. A graça desse artifício de Rayuela é justamente a manipulação das FOLHAS, a procura não tão facilitada pelo capítulo indicado_ numa metáfora à procura da Maga. Estava distante das intenções de Cortázar um mísero aperto em um link que desbaratava sem charme e sem recolhimento a intimidade com o romance.
Cassionei Petry disse…
Teu argumento é desmontado pela rayuel'o'matic, que aparece em "la vuelta...", em que se bastava puxar uma gaveta para se chegar ao capítulo escolhido. O culto ao livro impresso não invalida o não impresso.
charlles campos disse…
Não sei o que você está dizendo. Mas livro não impresso é para quem gosta de figurinhas e firulas.
Cassionei Petry disse…
Pois é, Charlles, tu mencionaste o "La Vuelta Al Dia En Ochenta Mundos", mas não o conhece. Aqui um exemplo do que seria a rayuel'o'matic, imagem do livro citado:
http://www.literatura.org/Cortazar/Vuelta_al_dia/LV84.gif
Cassionei Petry disse…
Quanto a livro não impresso, é só uma forma de dizer. O livro é o mesmo, só não foi impresso. Não muda o conteúdo, muda o suporte.
charlles campos disse…
Realmente nunca havia ouvido falar disso. O desenho do link não me parece nem um pouco convidativo. Mas sugiro que você leia Bauman, Baudrillard, Zizek (especialmente Vivendo no Fim do Mundo), para ver que a discussão em torno dos livros digitais e das demais parafernálias que aos poucos "democratizam" as obras intelectuais, não gira em torno da inviolabilidade do conteúdo. O problema é que, de pouco a pouco, já se torna certeza consuetudinária a desobrigação do criador em receber pela sua cria. O e-book é um instrumento para se adquirir tudo já escrito via download, como vem sendo feito com a música e filmes. Se você se empenhar na leitura desses autores, verá que há uma astúcia por detrás desses discursos de que o cd continuará, apesar do download, e o livro continuará, apesar do ebook, kindle, etc. Você, que está para lançar um livro, disponibilizaria ele para download? A questão, aliás, pouco tem a ver com a sua permissão ou não. Se houver algum interesse mercadológico, seu livro vai estar, de GRAÇA, em diversos computadores, e quem vai lucrar serão os conteúdos para propagandas dos mediafires, etc.
charlles campos disse…
Errata: li tudo que saiu do Zizek por aqui, e já encomendei o último dele pela LC, na pré-venda. O título correto é esse:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=30028379&sid=1111511541443020794854018
charlles campos disse…
Pergunta: a versão para ebook do Rayuela, você a comprou ou a baixou de graça. Seja sincero. Eu tenho aqui vários livros baixados, inclusive toda a série Dark Tower d Stephen King, e Conversa na Catedral, do Llosa, além de 2666 e uma pancada de Bolaño. À exceção de King, os outros títulos eu os comprei impressos. Mas não tenho o mínimo saco para ler na tela.
Cassionei Petry disse…
Gostaria de me fixar na ideia inicial, que é o e-book do Cortázar. Teus argumentos não foram suficientes para afirmar minha condiçao de herege (que, lógico, foi um brincadeira). Demonstrei que Cortázar aprovaria um e-book com hiperlink, mesmo que tu aches o desenho, feito pelo próprio Cortázar, "pouco convidativo". Mas concordo plenamente com relação a "figuras e firulas". Coisas como "desenhos que se movimentam" e outra coisas, já não mais literatura, que se vale tão somente das palavras.
Cassionei Petry disse…
Rayuela eu baixei de graça. Mas, para comprovar uma premissa de que quem se utiliza disso para ler, sempre acaba comprando, comprei meu exemplar impresso. Não o fiz antes pois não achava essa edição que eu queria. Encontrei-a no site da livraira Cultura.
charlles campos disse…
Que coisa sem graça eu trocar todos os meus livros por um kindle contendo-os na íntegra; colocar o aparelinho na estante vazia, lá em cima, e quando quiser ler, deixe-me ver, Eugenides, me sentar na poltrona com a luzinha acesa do tablet nas mãos. Isso não é vida. Melhor desistir e fazer parte do rebanho de todos os dias vendo o Cauã Reynolds na novela. (Cauã Reynolds! Há nome que reflita a boçalidade da cultura brasileira com maior precisão que esse?)
Cassionei Petry disse…
Nesse ponto concordo contigo. Não troco minhas estantes de livros por nada. Vou fazer uma postagem em tua homenagem daqui a pouco.
RfC disse…
Este livro, é simplesmente delicioso...*

Mensagens populares deste blogue

No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

Uma resenha que não aconteceu

Terminei a leitura de Os invernos da ilha, de Rodrigo Duarte Garcia (Record, 462 páginas), já pensando em escrever uma resenha crítica, apontando alguns pontos positivos e outros negativos do romance. Antes de pôr a mão na massa, porém, entrei nas redes sociais e fiquei sabendo que a coluna do Raphael Montes, em O Globo, apontava a obra do Rodrigo como popular, para se divertir, e então desanimei.
Acontece que há um equívoco tremendo por parte de alguns autores e leitores de literatura de entretenimento quando afirmam que literatura policial, de mistério ou de aventura (em que se encaixaria Os invernos da ilha) são desprezados pela crítica. Este é o tom do texto de Raphael Montes. Ele e tantos outros se equivocam ao dizer que Rubem Fonseca, escritor já canonizado e que é objeto de estudos até em livros didáticos, não tem o reconhecimento que merece porque é taxado por fazer literatura menor. Ledo engano ou uma tentativa forçada de se colocar como vítima.
Ora, a “crítica” (coloco entre …