sábado, maio 31, 2014

Fanfic na internet faz plágio de um texto meu

Já mencionei aqui (http://cassionei.blogspot.com.br/2013/12/plagios-do-meu-discurso-de-formatura.html) alguns plágios de um texto que escrevi representando os professores dos formandos do ensino médio do colégio estadual onde leciono (http://cassionei.blogspot.com.br/2012/12/discurso-de-formatura-do-ensino-medio.html). Falando sobre o caso para minhas alunas de Português instrumental do Curso de Técnico em Hospedagem no mesmo colégio, fui buscar mais alguns possíveis plágios e encontrei este (http://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-magcon-summertime-1893865/capitulo1) em uma fanfic, em qua autora utiliza trechos do meu discurso. E segue a roda.
Também encontrei meu texto, na íntegra, nesse site de "Trabalhos gratuitos", sem minha autorização, lógico: http://trabalhosgratuitos.com/L%C3%ADngua-Portuguesa/Discurso/250693.html

quarta-feira, maio 28, 2014

No Traçando livros de hoje, Yukio Mishima






A máscara ou a vida? 
 
Sempre que se escreve algo sobre o escritor japonês Yukio Mishima, nascido em 1925, a primeira coisa dita é que ele, em 1970, no quartel das Forças Armadas de Tóquio, suicidou-se junto com seus seguidores praticando o seppuku, conhecido por nós ocidentais como harakiri. Trata-se de um ritual de guerreiros samurais que consiste em cortar o próprio ventre com um sabre, demonstrando assim sua coragem, determinação e honradez. Por fim, o suicida é decapitado por outra pessoa. Serviu, no caso de Mishima, como forma de protesto por não ser ouvido na reivindicação da volta aos valores imperiais japoneses.
Em um dos seus contos, “Patriotismo”, escrito nos anos 50 e publicado em Morte em pleno verão (editado no Brasil pela Rocco, já fora de catálogo, mas encontrável em sebos), Mishima descreve o seppuku de um tenente da força imperial japonesa cujos amigos participam de um golpe. Ele deveria atacá-los, mas se vê impedido de fazê-lo. Para salvar sua honra, decide praticar o ritual junto com sua esposa, fiel a ele. Fazem sexo pela última vez e depois os dois tiram a suas próprias vidas, ela o ajudando e após passando o punhal no seu próprio pescoço. Os detalhes são descritos de uma forma impressionante, deixando o leitor sem fôlego, o que me fez colocar o conto na minha lista dos 10 maiores relatos da história da literatura. Em 1966, quatro anos antes de sua morte, o próprio escritor adaptou a história para um curta-metragem mudo em que também atua. Só recentemente o filme veio a público e está disponível na internet
Reli há pouco seu primeiro romance de sucesso, Confissões de uma máscara (Companhia das Letras, tradução de Jaqueline Nabeta, 200 páginas), publicado em 1949. Considerado autobiográfico, traz as memórias de Koo-chan, desde sua infância até os vinte e poucos anos. Na adolescência, percebe os primeiros sinais de sua homossexualidade e também tem fantasias sadomasoquistas. Precisa, no entanto, se comportar como um menino. “A relutante máscara começara a nascer.” Seu primeiro amor platônico é o jovem Omi, mas antes se sente excitado pela reprodução de uma pintura retratando São Sebastião nu, amarrado a uma árvore e com flechas cravadas no seu corpo. “Minhas mãos, completamente sem consciência, iniciaram um movimento que nunca tinham sido ensinadas a fazer. Senti alguma coisa secreta, radiante, subindo dentro de mim, velozmente, rumo ao ataque. Subitamente jorrou, trazendo consigo uma embriaguez ofuscante.”
Começa a namorar uma jovem, Sonoko, mas não sente nada por ela. É apenas mais uma tentativa de mascarar a realidade que ele ainda não compreende, assim como não compreende a Segunda Grande Guerra em que seu país está envolvido, até porque a guerra dentro dele é mais intensa.
Koo-chan também pensa no suicídio, assim como o escritor que o criou, mas “em vez disso esperaria por alguma coisa que me fizesse o favor de me matar”. Por isso queria servir ao exército e morrer em combate, mas não foi selecionado devido à saúde, o que aconteceu também com o próprio Mishima, prova de que a obra é realmente autobiográfica.
Parafraseando uma crônica de Drummond, o romance nos questiona: a máscara ou a vida? Continuamos a usar máscaras para sermos aceitos perante os outros ou devemos viver a nossa vida como achamos que ela deve ser vivida? Quantas máscaras você tem no seu armário, caro leitor?
Cassionei Niches Petry é professor, mestre em Letras e escritor. Publicou Arranhões e outras feridas (Editora Multifoco) e recentemente, em e-book, seu primeiro romance, Os óculos de Paula (edição Kindle/Amazon). Escreve regularmente para o Mix e mantém um blog, cassionei.blogspot.com.

segunda-feira, maio 26, 2014

Diário crônico XXV– Livros, “shelfies”, ostentação





Li ontem uma reportagem sobre as “shelfies”, espécie de “selfie”, só que de estantes de livros. Já sou há um bom tempo adepto das “shelfies”, postando a evolução das prateleiras da minha biblioteca, uma espécie de ostentação, outra palavrinha que está em moda. Pode ser pelo simples exercício de narcisismo ou para incentivar outros a também formarem a sua biblioteca. Não sei qual o meu caso, mas prefiro compartilhar nas redes sociais fotos dos livros que tenho a postar fotos do que estou comendo (se bem que já compartilhei fotografias minhas assando um saboroso churrasco). Apesar de estar acima do peso, devoro mais livros do que comida.
Por outro lado, surge a questão: por que tantos livros? A pergunta comum que ouço é se já os li todos. Lógico que não, porém o simples fato de tê-los à disposição para ler a hora que quero, folhear e cheirar de vez em quando, consultar um trecho, correr os dedos sobre as lombadas, apreciar sua disposição nas estantes e etc., justifica a construção de uma biblioteca particular. Ora, não pergunto para ninguém por que a pessoa assina um pacote de TV a cabo com centenas de canais se não pode assistir a todos!
Não façam essa pergunta a um leitor como eu. É uma questão que não merece ser respondida.
Além das três estantes abarrotadas de livros que tenho no meu escritório (que chamo às vezes de caverna, outras vezes de toca, outras de bunker ou simplesmente meu quartinho), tenho talvez milhares de livros em diferentes formatos digitais que abarrotam arquivos no meu computador. Muitos foram comprados, outros presenteados e alguns baixados de diferentes sites na internet, inclusive para apreciação e depois a compra na versão impressa tradicional. Boa parte eu não teria condição de ler, principalmente as edições estrangeiras, que se tornam muito caras para adquirir.
Pois a cada mês a quantidade de livros vai aumentando, novos lançamentos e relançamentos vão surgindo, novos títulos aparecem na Estante Virtual, que reúne sebos do Brasil inteiro e facilitou a venda de volumes usados, novos “e-books” aparecem para download. E a necessidade de comprar mais uma estante e aumentar a memória do computador cresce em proporção.
Tantos livros para ler e tão pouco tempo para fazê-lo. E ainda insisto em escrever. Não seria melhor parar de escrever para somente ler?

domingo, maio 25, 2014

Diário crônico XXIV – Aceita um café, caro leitor?




Ontem foi o Dia do Café, dia nacional, pois daqui a algumas semanas teremos o dia internacional, depois o universal... Essa mania de dia para tudo se popularizou com as redes sociais, tornando-se um motivo para postar coisas e fazer a roda girar. Às vezes é um saco, outras vezes até eu entro na brincadeira.
Mas voltemos ao café. Enquanto escrevo estas mal traçadas linhas, de acordo com o ritual descrito na crônica anterior, já tomei minha primeira xícara de café e estou partindo para a segunda. Na revisão do texto, já estarei com certeza na terceira. Não começo o meu dia sem o café, assim como não durmo sem ele. Verdade, se não tomo café aí é que tenho dificuldade para dormir, diferentemente das demais pessoas. Sou anormal?
Não considero, no entanto, que tenho um vício (já viu algum viciado dizer que é viciado?), porque não entro em desespero se faltar. Porém sinto a todo o momento uma necessidade enorme degustar o líquido negro mais valioso do mundo (o petróleo fica em segundo lugar) todos os dias, todas as horas, em todo o lugar.
Não sou, no entanto, um expert em café. Não tenho a mania de escolher os melhores grãos, a melhor marca. Não me importo em tomá-lo requentado, tão pouco arranco os cabelos ou enforco o meu colega de trabalho se o café estiver fraco ou forte demais. Aqui em casa, cai bem um Caboclo, um Melitta, um Três Corações, um Pilão, um Bom Jesus ou outra marca qualquer, ou melhor, nem todas, pois há alguns pós de café horríveis. Nunca tomei um Haiti, mas gostava quando os debatedores do programa “Sala de Redação” da Rádio Gaúcha cantavam o jingle “Haiti, Haiti, Haiti, tá fazendo na cozinha, tá cheirando aqui”. E também não desprezo, de vez em quando, um café solúvel, de preferência bem batido.
Odeio “cafezinho”, xícara pequena ou copinho de plástico minúsculo. Sou adepto do cafezão, xícaras grandes ou canecas. E doce. Não gosto de café sem açúcar, o que prova que não sou especialista no assunto.
O café, acima de tudo, é companhia perfeita para a leitura e escrita. Café e livros combinam muito bem, tanto que há muitas livrarias que são também cafeterias. Os dois se dão tão bem que é comum o café se derramar sobre as páginas de um livro, na tentativa desesperada de se perpetuar entre as letras. Um livro com manchas de café é um livro que tem vida, que foi lido, não simplesmente comprado para ficar parado na estante. Sem contar que ele fica com o cheiro da café entranhado por um bom tempo, conduzindo o leitor a lê-lo novamente.
Por falar em cheiro, estou sendo atraído pelo cheiro de café lá da cozinha, por isso paro por aqui. Aceita um, caro leitor?

sexta-feira, maio 23, 2014

Diário crônico XXIII – Lembranças de um estudante



Abro a página do word e deixo a folha em branco a minha frente. O programa “Pianíssimo”, na rádio Cultura Fm de São Paulo, toca Ernest Chausson e o seu “Quarteto com piano opus 30”. Aciono o “qwertick”, programinha do computador que simula o som de uma máquina de escrever quando digito as teclas do meu computador. Somente assim consigo criar uma crônica. Preciso do som de música clássica e do matacrear de uma máquina de escrever.
A página em branco materializa na minha frente uma imagem da noite anterior em que, pela primeira vez depois de mais de 20 anos, entro na sala em que tive meus primeiros dois anos de estudante. Sou, agora, professor, nesse momento ministrando aula de Língua Portuguesa instrumental para uma turma do curso Técnico em Hospedagem. Pois meu coração hospeda a nostalgia. Vejo em uma das classes aquela criança de sete anos que entrou na escola já sabendo ler e que por isso surpreendeu a professora Maria Geci ao decifrar as palavras contidas em uma gravura sobre o Dia dos Pais. A sala não mudou muito depois desses anos todos, tendo inclusive ainda o armário velho onde eram guardados nossos trabalhinhos. Mudaram as classes e a lousa, antes verde, agora branca.
Por saber ler e ter facilidade para aprender, terminava as atividades antes dos colegas e ficava incomodando os demais ao cantar uma musiquinha irritante que dizia “tirminei, tirminei, tirminei, eu tirminei, eu tirminei, eu tirminei”. A professora, então, me conduzia à pequena biblioteca escolar, onde tive contato com o mundo mágico da literatura.
Se foi nessa mesma sala que mostrei ao mundo minhas qualidades, foi também nela que minha incapacidade para desenhar se tornou notória. Para cada letra do alfabeto estudada, um aluno se responsabilizava em desenhar algo que começasse com tal letra, desenho que seria exposto sobre o quadro verde. Quando foi a vez da letra G, tomei coragem e me ofereci para ser o artista. Em casa, desenhei cuidadosamente um galo. Ao mostrar minha obra à professora, ela fez uma cara estranha e disse que até não estava tão mal o desenho, porém, o galo deveria ter duas patas e não quatro!
As semanas passaram e chegou a vez da letra O. Tentando me redimir do erro, pensei “agora vou caprichar no desenho de um ovo”. A professora ficou na expectativa de que desenhasse um lindo ovo de Páscoa, bem colorido. Pois o artista aqui fez um pequeno círculo a lápis na folha branca e outro círculo no meio, pintando-o depois de amarelo, e pronto! Estava desenhado um maravilhoso ovo frito!
Hoje, nas minhas aulas, mostro de vez em quando meus dotes de desenhista para ilustrar algum conteúdo, sendo que meu desenho preferido é o das personagens Palito e Palita. Como ilustração dessa crônica, uma das minhas obras-primas.

quinta-feira, maio 22, 2014

Diário crônico XXII – A escola não é assassina



 Atentem para a seguinte declaração do escritor Ferréz, autor de Capão pecado e Manual prático do ódio, dada no programa Provocações da TV Cultura: “os professores tinham que ser treinados para ter amor pela literatura, porque a escola é uma assassina de leitores, quando ela manda resumir um livro em 20 linhas ela assassina qualquer tipo de leitor futuro.”
Essa afirmação é de um total desconhecimento tanto de educação quanto de formação do leitor. Primeiro porque não é papel da escola fazer com que o aluno goste de literatura, mas sim mostrar a ele tudo que se fez de importante na história da humanidade em matéria de cultura, arte, pensamento. Aí se inserem as obras literárias. Geralmente, é um mundo do qual o educando tenta se afastar de qualquer forma, afinal há outras prioridades na sua vida que ficam a quilômetros de distância do conhecimento. O que é normal. Não é por isso que o professor vai deixar de, pelo menos, dar a oportunidade do jovem conhecer esse mundo. Se não o fizesse, estaria sonegando o acesso ao saber.
Não é a escola que assassina o leitor. Eu até pensava dessa forma e escrevi um artigo, intitulado “Crônica de uma literatura assassinada”, em que me culpava por supostamente afastar os alunos dos livros. Penso um pouco diferente hoje. Claro que há muitos professores que dão aulas de língua portuguesa e não gostam de literatura. Esses são perigosos. Muitos, porém, como eu, são apaixonados por ela, mas se veem obrigados a solicitar trabalhos porque os alunos não leem de forma nenhuma, a não ser por pressão. E aí vem o segundo ponto, a formação do leitor. Simplesmente há aqueles que têm mais aptidão para gostar de ler e outros não. É o caso do próprio Ferréz. Despertado por leituras de Hermann Hesse, ele acabou buscando outros autores e livros, criando sua rede de escritores preferidos. Nenhuma escola o tirou essa paixão, nenhuma influência de outras pessoas o fez mudar de caminho. Se há assassinos da literatura, elas são os diversos tipos de entretenimento mais interessantes do que um livro. O jovem até poderia conciliá-los, mas não o faz, por diversos motivos, entre os quais ouvir pessoas dizerem que cumprir tarefas não é prazeroso e, por isso, não deve ser feito.
 Quando um escritor vem a público fazer uma crítica sem fundamento à escola, mais alunos vão ver nela uma inimiga. Ferréz faz um grande desserviço, ele que é uma espécie de porta-voz da periferia, dos desassistidos da sociedade, até porque também milita na cultura Hip Hop. Ele deveria dizer "molecada, vamos estudar e ler. Se é chato ou não, não importa, o importante é construir conhecimento. Os professores não são inimigos. Se eles pedem para resumir ou falar para a turma sobre um livro chato, é porque esse livro, em algum momento, disse alguma coisa para humanidade e continua dizendo, caso contrário, como muito outras obras, já teria caído no esquecimento. Se vocês não lerem, outros lerão, e terão mais conhecimento do que vocês.”
Agora, se o conhecimento não é importante, não há nada a fazer. E viva a burrice!