Avançar para o conteúdo principal

Diário crônico XII – SEXta



Camisa de vênus, monte de vênus, doença venérea, afrodisíaco. Palavras como estas, relacionadas ao sexo, se originaram do nome de uma divindade: Vênus para os romanos, Afrodite, para os gregos, deusa da beleza, do amor e da sexualidade.
Como hoje é sexta-feira, lembro a vocês que o sexto dia da semana recebe a denominação “viernes”, em espanhol, e “venerdi”, em italiano, porque é o dia dedicado à deusa. Em inglês, sexta-feira é “friday”, o dia de Frigga, deusa nórdica, esposa de Odin e mãe de Thor, ela também uma divindade relacionada ao amor e à fertilidade. “Freytag”, em alemão, é em homenagem a outra deusa nórdica Freya, divindade da luxúria.
Por coincidência ou não, sexta contém a palavra “sex”. Podemos dizer, portantpo, que este é o dia dedicado ao sexo, ao amor, às paixões, momento de apreciar os prazeres da carne?
No início de minha adolescência, há mais de 20 anos, havia um programa na TV Bandeirantes justamente chamado “Sexta Sexy”. Passava durante a madrugada e rodava filmes no estilo erótico soft, em que não aparecia penetração, as cenas eram de sexo simulado, ou seja, nada de pornografia, até porque era TV aberta. A Vênus desses filmes geralmente era Emmanuelle, personagem que surgiu no final dos anos 60 e foi interpretada nos anos 70 pela atriz holandesa Sylvia Cristal, que morreu em 2012. Nos anos 80 e 90, foi vivida por diferentes atrizes. Em 1995, o programa passou a ser transmitido aos sábados e mudou o nome para Cine Privé. Atualmente não é mais transmitido.
Um programa como esse não teria o mesmo sucesso hoje em dia. As novelas e os filmes que passam até no horário nobre têm algumas cenas que não perderiam para nenhuma das produções rodadas na “Sexta Sexy”. Além disso, a pornografia rola livre na internet, lugar onde os adolescentes vivem a maior parte de seu tempo. Não há limites para acesso, salvo se os pais instalarem softwares de segurança, apesar de que os jovens aprendem facilmente a burlá-los.
Quando tudo é tão explícito e livre, perde-se a graça do mistério, do proibido. Perde-se o encanto da descoberta.  

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Uma resenha que não aconteceu

Terminei a leitura de Os invernos da ilha, de Rodrigo Duarte Garcia (Record, 462 páginas), já pensando em escrever uma resenha crítica, apontando alguns pontos positivos e outros negativos do romance. Antes de pôr a mão na massa, porém, entrei nas redes sociais e fiquei sabendo que a coluna do Raphael Montes, em O Globo, apontava a obra do Rodrigo como popular, para se divertir, e então desanimei.
Acontece que há um equívoco tremendo por parte de alguns autores e leitores de literatura de entretenimento quando afirmam que literatura policial, de mistério ou de aventura (em que se encaixaria Os invernos da ilha) são desprezados pela crítica. Este é o tom do texto de Raphael Montes. Ele e tantos outros se equivocam ao dizer que Rubem Fonseca, escritor já canonizado e que é objeto de estudos até em livros didáticos, não tem o reconhecimento que merece porque é taxado por fazer literatura menor. Ledo engano ou uma tentativa forçada de se colocar como vítima.
Ora, a “crítica” (coloco entre …

Escrevo no Amálgama sobre "A montanha mágica"